Cantiga de Sonhar

Ladrilhar… Brilho, olhar.

Nessa rua tinha um bosque,
que chamava solidão.

Por entre selva fechada,
um sentimento doído perpetua.
Aquele não compartilhável,
que se sente só, por estar só.

Lá habita meu anjo da esperança.
Esperando que por entre selva fechada
nasça um botão a florescer,
e que esse botão desabroche em meu coração.

Ah! Esse anjo da esperança,
que há tanto levou meu coração.
Que disfarça o sentimento doído,
distorce o que é fácil e o que é fato.
Me beija com beijos soprados do mais puro consolo.

Que diz que me quer bem.

E esse bosque sombrio, inerte,
habita meu anjo da esperança,
no aguardo de uma recíproca de amor.

Sim, ele diz que me quer bem.
E o que se faz aqui, se age com assim semelhança.
Me acusando de precursora do ato.
Do roubo.
Do seu coração.

Ladrilhar… Brilho, olhar.
Essa rua não é minha,
como um dia imaginei.
Mas no bosque da esperança,
o meu anjo esperei.

E por entre selva fechada,
sentimento doído que não se partilhava,
se partilha agora,
de verso em verso,
por uma cantiga de sonhar.

Marina Nastari de Almeida

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